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Terras de Viseu

2023/03/30

Dois dos 17 acusados de burla em Viseu com carros de gama alta dizem ser inocentes

Concelho

Dois dos 17 arguidos num processo de burla qualificada relacionado com compra de veículos automóveis de gama alta, que está a ser julgado no Tribunal de Viseu, declararam-se hoje inocentes.

Os arguidos começaram a ser ouvidos depois de o julgamento ter sofrido vários adiamentos, por diferentes motivos: greve dos oficiais de justiça, falta de meios do Estabelecimento Prisional do Porto para transportar dois detidos e necessidade de um deles receber tratamento hospitalar.

Segundo a acusação, os arguidos estiveram envolvidos num plano que visava ludibriar pessoas que colocavam carros de gama alta (de marcas como Ferrari, Porsche e Mercedes) à venda em sites da Internet (Olx e Standvirtual).

Dos 17 arguidos – que estão acusados de 133 crimes de burla qualificada, falsificação de documento e detenção de arma – 13 estiveram hoje no Tribunal de Viseu e só dois quiseram falar.

Um deles disse ter como atividade a compra e venda de carros, mas de baixos valores, sendo que, no que respeita aos de gama alta, só participa como intermediário, recebendo uma comissão.

 

Questionado sobre o envolvimento que teve num negócio com um Nissan GTR, contou que, um dia em que estava em Badajoz, dois dos arguidos propuseram vendê-lo por 60 a 70 mil euros, tendo contactado um amigo seu que pensou que estaria interessado.

Segundo o arguido, o negócio não se concretizou porque o seu amigo considerou haver problemas com a documentação do carro e achou estranho o preço ter baixado muito durante os dois ou três dias de negociação.

Admitiu, no entanto, que emprestou mil euros a esses dois arguidos para tratarem de documentação, porque conhecia as suas famílias que, tal como a dele, são de etnia cigana e não podiam “ficar mal uns com os outros”.

Durante a manhã, falou também um advogado brasileiro, a exercer na Figueira da Foz, que apenas está acusado de um crime de falsificação de documentos e garantiu não ter participado em qualquer negócio, nem estar em comunhão de esforços com os restantes arguidos.

O advogado contou que, para evitar contactos devido à pandemia de covid-19, os clientes eram recebidos num balcão pela sua secretária, que os identificava, e depois ela lhe levava os documentos para que fizesse o reconhecimento.

Apesar de não se lembrar concretamente do reconhecimento de assinatura que consta na acusação – até porque esse foi um de 114 atos que realizou desde que começou a advogar em Portugal -, admitiu já ter sido advogado oficioso de um dos arguidos, que também é brasileiro.

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